sexta-feira, 27 de março de 2009

Santander Totta adere ao programa de incentivo à utilização de energias renováveis

O banco Santander Totta acaba de aderir ao programa de incentivo à utilização de energias renováveis, lançado pelo Governo em Fevereiro, para reduzir a dependência externa de energia e de emissões de dióxido de carbono. A instituição torna-se assim no quinto banco a assinar o protocolo com o Estado, depois do Banco Espírito Santo, Banco Português de Investimento, Millennium BCP e Caixa Geral de Depósitos, passando a disponibilizar aos clientes condições especiais na aquisição de painéis solares térmicos.

Ao abrigo deste programa, os clientes têm três soluções de equipamento disponíveis e beneficiam da comparticipação imediata do Estado no valor de 1 641 70 euros. Além disso, economizam na factura energética anual, com uma redução média de 20 a 30 por cento da energia necessária no aquecimento de água para usos domésticos. A aquisição destes equipamentos tem também benefícios fiscais em sede de IRS, com dedução de 30 por cento do investimento realizado.

O Santander Totta disponibiliza ainda condições de financiamento preferenciais, com financiamento de 100 por cento do preço pago pelo cliente, com uma taxa de juro indexada à Euribor a 3 meses, acrescida de um spread de 1,5 por cento, pelo prazo máximo de 72 meses ou 84 meses no caso de habitação abastecida a gás natural.

Para além da criação de produtos e serviços que promovam as energias renováveis, o banco informa, em comunicado, que «tem vindo a apostar cada vez mais na eficiência energética das suas operações, desde a remodelação dos balcões, àimplementação de medidas de gestão de energia locais, substituição e racionalização de equipamentos».

quarta-feira, 25 de março de 2009

Segunda polémica em dois anos à volta da Energie

A polémica voltou à empresa Energie, da Póvoa de Varzim, pela segunda vez em dois anos. A empresa divulgou hoje ser detentora de um certificado de sistemas solares térmicos passado por entidades europeias, no passado dia 10 de Março, que não convence os especialistas como Oliveira Fernandes, para quem equipamentos anunciados como funcionando com sol, céu nublado, chuva e à noite “não são solares”. “Energia solar é para captar energia solar”, remata.

Na edição de hoje, o PÚBLICO dá conta do coro de protestos surgidos pela visita do primeiro-ministro e do ministro da Economia às instalações da Energie, por considerarem que a empresa faz “publicidade enganosa” a bombas de calor com recurso secundário a radiação solar, e que designa por painéis solares termodinâmicos. A ambiguidade de publicitação entre dois produtos que tecnicamente são considerados muito diferentes – colectores solares térmicos e bombas de calor - é a crítica feita à Energie, empresa presidida pelo empresário Luís Rocha, que é também presidente da Associação Comercial da Póvoa de Varzim, numa altura em que a energia solar é especialmente valorizada. Recentemente, o Governo lançou uma campanha de apoio à aquisição de colectores solares térmicos.

Em comunicado emitido hoje, a empresa responde que as “acusações são falsas” e garante possuir certificações passadas pela Solar Keymark (dinamarquesa) e pela Dincertco (alemã), consideradas entidades de topo nesta área. “Estas certificações atestam o produto da Energie como sistema solar térmico”, afirma.

Foi com esta certificação que a empresa diz ter garantido a inclusão no conjunto de empresas que podem aceder à campanha do Governo. Também a porta-voz do gabinete de Manuel Pinho se manifestou contra a notícia do PÚBLICO, afirmando que “a empresa cumpre os critérios para as empresas de colectores solares térmicos”. Escusou-se, no entanto, a comentar a ambiguidade no discurso da empresa entre os equipamentos que usa e a designação que lhes dá – tal como se vê na sua página na Internet – durante a visita dos dois governantes, marcada para promover colectores solares térmicos e não sistemas de bombas de calor. A visita assinalou a entrada em expansão da Energie que vai, segundo a própria, "duplicar a produção de 12 mil painéis solares termodinâmicos para 24 mil painéis solares termodinâmicos por ano".

O certificado apresentado hoje pela empresa é a folha de rosto de um documento onde se menciona a conformidade da unidade da Póvoa de Varzim na produção de “sistemas solares térmicos” do tipo “Eco 300esm”. As especificações da certificação não foram divulgadas.

Numa busca na Internet ao tipo de sistema referido, o PÚBLICO encontrou imagens referenciadas a uma tecnologia francesa de um reservatório termocumulador, mas não de colectores solares, mencionando-se ainda a utilização de “fluído frigorígeno”, à semelhança dos sistemas termodinâmicos da Energie.

Este não é o primeiro confronto entre a Energie e o sector, fragmentado por diversas marcas. Em Setembro de 2007, perante uma iniciativa de publicitação desta tecnologia por parte da Energie, a Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES) emitiu então um comunicado, alertando que o equipamento publicitado surgia “abusiva e erroneamente” designado por colector solar, quando – acrescentava -“não é mais do que uma simples bomba de calor, visto que o suposto painel não é mais do que um evaporador”.

No comunicado, a SPES notava ainda que a própria empresa, na sua página na Internet, “reconhece que os painéis solares captam de noite e do vento, deixando para a incidência do sol uma situação de apenas benefício suplementar ao equipamento mas não essencial, o que, desde logo, condena o equipamento enquanto colector solar”.

"É claro que a temperatura do ar, o vento e a chuva - tudo é comandado pelo sol. Mas é evidente que o promotor se baseia na associação à energia solar, isto é, da radiação do sol para vender as suas bombas de calor”, escreveu a SPES na altura.

O actual presidente da SPES e presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse hoje ao PÚBLICO que reitera a posição assumida em 2007 pela SPES sobre os painéis termodinâmicos. Quanto ao certificado anunciado ontem, adianta que a “associação tomará uma posição quando souber do que se trata”.

A SPES é uma associação que congrega os interesses do sector, criada em 1980 e inclui entre os seus objectivos prioritários a promoção da energia solar em Portugal, “assegurando a qualidade dos equipamentos e serviços”. É também a delegação portuguesa da International Solar Energy Society.

Do ponto de vista técnico, sistemas como o da Energie são classificados fora da energia solar, por consumirem substancialmente mais energia eléctrica. Neste caso concreto, o sistema termodinâmico consome 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico. 

terça-feira, 24 de março de 2009

Painéis solares? Sócrates explica vantagens

Falando na Vulcano, empresa do grupo Bosh, que produz equipamentos para água quente, incluindo os painéis solares, o primeiro-ministro socorreu-se da «simpática carta do senhor Galante» (primeiro português a aderir ao programa das energias renováveis) em que explica porque instalou os painéis solares, para desafiar os portugueses a fazerem o mesmo nas suas casas.

Sócrates lança apelo: comprem painéis solares

O programa de painéis solares foi lançado pelo governo no dia 12 de Março, permitindo financiar metade do preço do equipamento a fundo perdido e deduzir 300 euros em termos fiscais.

Rui Galante fez as contas e decidiu investir a outra metade, sendo o primeiro a aderir ao programa que, segundo fonte governamental, vai já nos mil aderentes, contabilizando as pessoas que o têm solicitado às entidades de crédito.

Apoios para painéis solares alargados às PME

Na carta de que o primeiro-ministro fez uso, Rui Galante explica que decidiu instalar os painéis solares pelo que isso vai representar no peso mensal do que gasta com a energia do seu orçamento doméstico, e também por usar uma fonte de energia inesgotável, o sol, logo amiga do ambiente.

Às «poderosas razões» de Rui Galante, José Sócrates levou outras para promover o programa, como o combate à crise sem precedentes, sendo um meio de manter e gerar emprego.

Crédito «chave na mão» para adquirir painéis solares
«Queremos que os portugueses comprem e instalem painéis solares porque estarão a dar mais oportunidades às empresas portuguesas, não apenas às que produzem os painéis, mas também às pequenas e micro empresas que são subcontratadas pelo país para fazer a instalação e manutenção».

Segundo o primeiro-ministro, o Estado financia metade pelo que «tudo depende agora dos portugueses», sendo também um «programa de confiança» porque promovido com empresas certificadas e que garantem a manutenção.

Com essas palavras, o primeiro-ministro tenta assim apagar da memória os problemas surgidos quando começaram a surgir os painéis solares em Portugal, em que, a falta de instaladores qualificados e de equipamento certificado levou a que alguns dessem o dinheiro por mal empregue.

Hoje o panorama é bem diferente pelo que José Sócrates espera que os portugueses percebam que podem confiar no programa, que «liga o investimento público com o privado e foi testado com sucesso noutros países», até para Portugal reduzir a sua dependência energética e a emissão de gases com efeito de estufa.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Primeiro-Ministro na cidade da Póvoa de Varzim

O primeiro-ministro apelou esta segunda-feira  à compra de painéis solares pelos portugueses, no âmbito do programa do Governo de incentivo ao uso de energias renováveis, destacando o impacto positivo que terá na economia a vários níveis. 

"Se [os portugueses] querem dar um bom contributo para, em primeiro lugar, reduzirem a sua factura energética e gastarem menos dinheiro com o aquecimento da água, se querem dar um contributo para o seu país, para haver mais emprego e mais dinamismo económico, por favor instalem painéis solares nas suas casas, aproveitem este programa do Governo", afirmou José Sócrates durante uma visita à empresa produtora de painéis solares termodinâmicos Energie, na Póvoa de Varzim.

Segundo salientou, o programa de incentivo à aquisição de painéis solares prevê a comparticipação, pelo Governo, de 50 por cento do investimento.

"Se o fizerem, estão a dar um estímulo para transformar Portugal num país melhor, estarão a dar mais oportunidade de emprego a compatriotas seus e estarão a dar mais oportunidades às empresas portuguesas, como a Energie, e mais oportunidades de emprego e de actividade às micro-empresas a quem é subcontratada a instalação dos painéis solares", afirmou Sócrates.

Por outro lado, o aproveitamento da energia solar "é um excelente contributo para aumentar a eficiência e a autonomia energética do país", disse.

Apontando a aposta do Governo nas energias renováveis como uma "forma de combate à crise", o primeiro-ministro admitiu que "2009 vai ser um dos anos economicamente mais difíceis" em Portugal, "como em todo o mundo".


Apoios para painéis solares alargados às PME

Consumidores serão os beneficiários

As Pequenas e Médias Empresas (PME) que tenham «experiência comprovada» na produção, instalação e manutenção de painéis solares também vão ter apoios do Estado. O Governo definiu assim um regime exclusivo para estas empresas, cujo objectivo é aumentar o número de entidades fornecedoras de sistemas solar térmico, beneficiando por fim os consumidores.

«O Governo definiu um para as PME, complementar ao regime geral em vigor do programa de apoio à aquisição e instalação de sistemas de em habitações de particulares, que conta já com cinco entidades fornecedoras. Com o novo regime PME prevê-se que este número aumente de forma significativa», adianta o comunicado.

Cartelização nos painéis solares?

Recorde-se que, recentemente, o primeiro-ministro anunciou benefícios fiscais e facilidades no acesso ao crédito bancário para as famílias que instalem painéis solares. Na sequência, foram estabelecidos acordos com quatro bancos (BES, BPI, BCP e CGD) e inicialmente com três marcas (a Vulcano da Bosch, a Martifer e a Ao Sol) para promover a venda de painéis. No entanto, este anúncio deu origem a muita polémica, nomeadamente pela oposição que apontava que as PME não teriam nesta área não teriam qualquer capacidade de concorrer e ainda que os preços para os consumidores eram demasiado elevados.

Consumidores podem manifestar preferência por marcas

Agora, para estas PME beneficiarem dos apoios estatais têm que cumprir alguns pressupostos considerados «mais flexíveis»: a capacidade de instalação e manutenção dos equipamentos apenas num âmbito regional, nos distritos assumidos pela empresa em causa e a disponibilização de apenas uma das soluções técnicas predefinidas (sistemas de Termossifão de 200l, Termossifão de 300l ou Circulação Forçada de 300l), permitindo ainda alguma flexibilidade nas capacidades dos depósitos desde que tal não implique alteração do preço máximo pré-estabelecido. Além destes, estas empresas têm também que ter um volume mínimo obrigatório anual de produção e instalação de painéis solares reduzido para apenas 500 m2 e número mínimo de instalações mensais reduzidas para 15. Por outro lado, é eliminado o requisito de demonstração de autonomia financeira superior a 25%.

«De modo a assegurar a adesão à medida de um número significativo de PME e garantir o cumprimento global das metas, é fixado um volume de 50.000 m2 de painéis solares para este regime», adianta o ministério da Economia.

Paralelamente, é implementada a possibilidade dos consumidores manifestarem preferência por uma das marcas aderentes, mantendo o Estado a garantia de elevados padrões de qualidade e de preço máximo dos equipamentos disponibilizados.

Obama promove investimento em energias renováveis na Califórnia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu hoje o investimento em energias renováveis, que considerou imprescindível para que o país possa manter sua competitividade e reduzir a dependência ao petróleo.

"Temos diante de nós uma alternativa: podemos continuar sendo um dos principais importadores de petróleo ou podemos fazer os investimentos que nos permitirão nos transformar no principal exportador de energias renováveis", afirmou Obama.

Durante sua visita a uma fábrica de veículos elétricos em Pomona, nas cercanias de Los Angeles, o governante lembrou que outros países já fizeram esse investimento.

O presidente americano também defendeu a proposta orçamentária que apresentou ao Congresso, no valor de US$ 3,6 trilhões, e que prevê um aumento dos investimentos em energia.

Assim, prometeu que nos próximos três anos duplicará o fornecimento de energias renováveis nos EUA, e disse que serão investidos US$ 15 bilhões por ano no desenvolvimento de tecnologias alternativas, como os biocombustíveis ou a energia solar e eólica.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Energias renováveis: ensaios de conformidade e certificação de módulos solares

O maior centro de ensaios de conformidade e certificação de módulos solares, para geração de energia e aquecimento de água, está a ser construído pelo TÜV Rheinland Group na sua sede, localizada em Colónia, Alemanha. Com inauguração prevista para Julho, este projecto representa um investimento de cerca de quatro milhões de euros. Novas infra-estruturas e equipamentos técnicos, de última geração, de controlo de segurança, qualidade e eficiência energética serão aplicados no moderno centro que irá empregar 40 especialistas em indústria solar.

Cerca de 70% dos fabricantes mundiais de módulos solares têm os seus produtos testados nos laboratórios do grupo TÜV Rheinland, líder do mercado mundial nesta área desde 1995, ano em que iniciou os ensaios técnicos de componentes solares em contexto laboratorial. Para além dos testes realizados aos módulos, os especialistas do grupo desenvolvem novos métodos de ensaio – alguns actualmente aceites como padrão internacional –, colaboram na pesquisa e desenvolvimento de projectos para a utilização da energia solar e monitorizam a construção de instalações solares para clientes em todo o mundo.

“A nível mundial, a indústria solar tem vindo a registar um crescimento anual de 30%, o que revela o imenso potencial da indústria de módulos e de uso da energia solar. Ao realizar este tipo de ensaios, é nosso objectivo continuar a impulsionar o crescimento das energias renováveis, promovendo elevados padrões de qualidade”, revelou Bruno O. Braun, Presidente e CEO da TÜV Rheinland, no evento de colocação da primeira pedra do novo centro.

Actualmente, a mais completa instalação para ensaios e certificações de componentes solares do mundo localiza-se em Phoenix, Arizona (EUA). Resultante de uma parceria entre o TÜV Rheinland Group e a Universidade do Estado do Arizona (ASU), a TÜV Rheinland PTL LLC reúne, desde 2008, a sólida reputação da líder TÜV Rheinland com os mais de 50 anos de know how e pesquisa em energia solar da ASU.

Este empreendimento global permitiu ao TÜV Rheinland Group entrar, de forma imediata, no mercado norte-americano de ensaios de energia solar, bebendo da longa experiência da ASU que detinha, desde 1992, o único laboratório dos EUA acreditado e homologado para ensaios fotovoltaicos, com especial incidência em simulações ao ar livre. Esta parceria transformou a TÜV Rheinland PTL LLC na primeira instalação do mundo a disponibilizar a escala completa de ensaios e certificações de painéis fotovoltaicos em toda a sua cadeia.

Para além dos centros de Colónia e Arizona, o TÜV Rheinland Group está a construir outros laboratórios, em todo o mundo, continuando a assegurar estes ensaios no Centro de Avaliação Tecnológica Global TÜV Rheinland no Japão e em instalações localizadas na China, Israel e Indonésia.

terça-feira, 17 de março de 2009

Em 2020 a eólica poderá abastecer 60 por cento dos lares europeus

Essa quantidade corresponderia a uma capacidade instalada de energia de procedência eólica de 230 gigawatts, que é a meta apontada pela EWEA, segundo anunciaram os seus responsáveis numa conferência que hoje começou em Marselha.

Arthouros Zervos, presidente desta Associação, defendeu as perspectivas em crescendo do aproveitamento desta energia renovável, apoiadas pelos objectivos assinalados na directiva comunitária de Energias Renováveis, na sequência do acordo alcançado em 2008.

Os 230 gigawatts são um aumento em relação aos 180 que a própria associação tinha apostado como objectivo anteriormente, explicou Zervos, precisando, no entanto, que só se alcancrá essa meta se todos os Estados comunitários cumprirem com os prazos previstos.

A energia gerada por esses 230 gigawatts seria suficiente para abastecer o equivalente a 135 milhões de lares de tipo médio na UE e assim se forneceria entre 14 a 18 por cento da procura eléctrica em 2020, acrescentou Zervos.

O comissário europeu da Energia, Andris Pielbags, afirmou na mesma conferência que "a energia eólica pode substituir em grande medida os combustíveis contaminantes e finitos de que actualmente dependemos", segundo um comunicado dos organizadores da reunião.

De acordo com dados da Comissão Europeia, 3,5 por cento das reservas certificadas de carvão estão na UE mas os países da União Europeia só têm 2 por cento das de gás, menos de 2 por cento das de urânio e abaixo de 1 por cento das de petróleo de todo o mundo.

"Com o tempo a Europa perderá a batalha", alertou o comissário, recordando que as empresas europeias têm duas terças partes do mercado mundial da tecnologia da energia eólica, avaliada em 35 mil milhões de dólares.

A reunião de Marselha, que decorre até quinta-feira, abordará outros temas relacionados com a energia eólica, como assuntos políticos, técnicos e científicos.

No sábado, no Mindelo, São Vicente, o primeiro-ministro, José Sócrates, frisou para uma plateia maioritariamente constituída por estudantes universitários, que Portugal tem "a quarta maior empresa mundial na área das energias renováveis".

"Temos o maior parque eólico da Europa e estamos a mudar o nosso paradigma energético em Portugal", sustentou ainda.

Sócrates prometeu auxiliar Cabo Verde nos seus projectos de desenvolvimento de energias renováveis, manifestando-se disponível para transferir tecnologia nacional e incentivar a participação de empresas portuguesas em parcerias.

As palavras de José Sócrates foram proferidas no pólo de São Vicente da Universidade de Cabo Verde, após a assinatura de um memorando entre os governos de Portugal e de Cabo Verde, prevendo a abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de euros para apoiar projectos cabo-verdianos na área das energias renováveis.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Comprar painéis solares dá prestação entre 19 e 54 euros

A possibilidade de comprar um painel solar por metade do preço, com recurso a um subsídio, está em vigor desde o início do mês. Já está a haver pedidos e a modalidade base de aquisição a crédito dá prestações entre 19 e 54 euros.

A medida foi anunciada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, no Parlamento, tendo sido formalizada através de um protocolo entre o Estado e um conjunto de quatro bancos, que disponibilizam linhas de crédito para a aquisição dos painéis.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Espírito Santo (BES), o Banco Português de Investimento (BPI) e o Millennium BCP são as instituições financeiras que os consumidores interessados devem consultar. A medida entrou em vigor no dia 2 de Março e quer o Ministério da Economia quer as instituições financeiras garantem que a adesão está a ser positiva, embora não forneçam números concretos.

O Governo anunciou que o subsídio público corresponde a um desconto "superior a 50% face ao preço de venda" dos painéis, mas as simulações disponibilizadas por dois dos bancos aderentes - CGD e BES - indicam que tal só acontece quando se opta pelo equipamento mais barato (há três possibilidades).

A verba atribuída no momento da compra é 1641,7 euros, sendo que os dois equipamentos mais caros custam 3648 euros e 4966 euros. Nestes casos, a ajuda pública corresponde apenas a 45% e 33% do preço de venda, respectivamente.

As simulações de financiamento a seis anos (72 meses) apontam para uma prestação mensal mínima de 19,22 euros (CGD) e uma máxima de 53,54 euros (BES), dependendo do equipamento escolhido. Caso o consumidor queira pagar a pronto, deve à mesma dirigir-se a um balcão dos bancos aderentes, onde poderá tratar do processo.

Segundo adiantou o gabinete do Ministério da Economia ao JN, já há mais bancos a aderir à iniciativa, pelo que o grupo inicial de será alargado em breve. A iniciativa é vocacionada para casas usadas, já que nas novas habitações, os promotores já têm de incorporar os painéis nos projectos e não podem candidatar-se à nova solução de financiamento.

Contudo, a mesma fonte clarificou que as pessoas que optam por construir a sua própria habitação também tem acesso ao desconto. Ao contrário do que tem sido veiculado, acrescentou, os prédios de habitação - e não apenas as moradias - podem aceder ao programa, caso haja uma decisão do condomínio.

Além do desconto à cabeça no preço do equipamento, a aquisição dos painéis dá também direito a um benefício fiscal. No primeiro ano, o contribuinte poderá usufruir de um incentivo em sede de IRS, até 30% do preço do equipamento.

Cabo Verde/Portugal: Governos acordam linha de crédito nas energias renováveis

Mindelo, São Vicente, 14 Mar (Lusa) - Os governos de Cabo Verde e de Portugal assinaram hoje um memorando para abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de euros para o desenvolvimento de projectos na área das energias renováveis em território cabo-verdiano.

Neste terceiro e último dia de visita oficial de José Sócrates a Cabo Verde, os executivos de Lisboa e da Cidade da Praia assinaram ainda mais dois acordos no âmbito das obras públicas.

No memorando relativo às energias renováveis, a nova linha de crédito destina-se a "apoiar projectos de financiamento de energias renováveis (solar e eólica) em Cabo Verde, até ao montante de 100 milhões de euros".

Pela parte nacional, o memorando foi assinado pelo secretário de Estado do Tesouro, Costa Pina, numa cerimónia presidida pelos primeiros-ministros de Portugal e de Cabo Verde no pólo de São Vicente da Universidade de Cavo Verde.

Portugal vai também apoiar a remodelação e ampliação do aeroporto de São Pedro, em São Vicente, bem como a construção de uma nova aerogare.

Este projecto, segundo o executivo de Lisboa, está avaliado em 22,3 milhões de euros, dos quais 19 milhões foram contraídos a partir de um empréstimo concedido pela Caixa Geral de Depósitos.

Pela parte portuguesa, o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, também assinará um acordo para a construção de uma estrada entre a Baía e Calhau, igualmente na ilha de São Vicente.

Segundo o executivo de Lisboa, este projecto é financiado por empréstimo no valor de 6,3 milhões de euros.

A nova estrada tem uma extensão de 7,2 quilómetros e foi adjudicado à empresa portuguesa Armando Cunha.

O montante previsto para ser gasto nesta estrada faz parte de um pacote de financiamentos do Estado Português a Cabo Verde, que atinge 40 milhões de euros.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Plano de barragens da EDP agrega 35 mil empregos

A execução do plano de investimento em barragens que está a ser levado a cabo pela EDP vai originar a criação de 35 mil empregos directos e indirectos, revela o Expresso online citando estimativas do presidente executivo da empresa.

«Em determinadas barragens, como por exemplo a Baixo Sabor», exemplificou António Mexia em declarações ao periódico, «vão estar envolvidas cerca de 100 pequenas e médias empresas».

Só o grupo EDP vai criar 1 000 novos postos de trabalho em 2009 em todos os países onde está presente. Deste milhar de empregos, cerca de 500 serão gerados em Portugal e, entre estes, 200 serão primeiros empregos (estágios), detalhou o CEO da companhia.

A estimativa dos 35 mil empregos surgiu no dia em que a empresa apresentou os resultados de 2008. O lucro líquido alcançado pela eléctrica nacional ascendeu a 1 092 milhões de euros, um dos melhores resultados de sempre e a corresponder a «um aumento de 55% nos últimos três anos», realçou.

Investidores apontam perigos aos projectos de biomassa

Apesar de se falar nos atrasos que têm marcado o concurso lançado pelo Governo para a construção de 13 centrais a biomassa florestal, este não é o único problema que afecta o sector.
 
Segundo Francisco Pintor, administrador da Tecneira, os perigos para o desenvolvimento dos projectos decorrem também da existência de uma tarifa pouco competitiva relativamente ao mercado internacional, o que «induz perda de rentabilidade  nos investimentos, que têm agora de ser reavaliados para os parâmetros de hoje que são, obviamente, diferentes dos dados de partida».
 
Paulo Preto dos Santos, director-geral da Sobioen, aponta também o dedo à forma «errada» como a tarifa está concebida, isto porque a actualização da mesma em função da inflação só ocorre a partir do momento em que a unidade está em fucionamento.
 
Com os atrasos na adjudicação definitiva dos concursos, a tarifa que ronda em média os 108 euros por MWh foi, nos últimos 3 anos, «delapidada de valor», tendo havido uma perda de margem da ordem dos 12 por cento», estima. Não obstante, as unidades que arrancarem em 2011 continuarão a usufruir de uma tarifa da ordem dos 108 euros por MWh, o que, do ponto de vista de Paulo Preto dos Santos, «é gravíssimo».
 
Ao invés, as centrais já em funcionamento terão uma remuneração superior. Recorde-se que, este ano, deverão entrar em funcionamento as unidades de Leirosa (30 MW) e Constância (14 MW), do grupo Altri e EDP, que têm ainda mais seis licenças. «Como as centrais da Altri e da EDP entram em funcionamento mais cedo do que as unidades que resultaram do concurso terão uma remuneração mais elevada», explica Paulo Preto dos Santos. Segundo as suas contas, estas centrais poderão já estar a ser remuneradas acima dos 120 euros por MWh e, por essa razão, terão condições para pagar mais pela biomassa.
 
Escassez de matéria-prima
 
Esta é uma premissa importante quando se sabe que os projectos em curso e os que estão previstos aumentarão a disputa pela matéria-prima.
 
Só para alimentar as 13 centrais do concurso, as unidades da EDP/Altri e os projectos de peletes espalhados pelo País serão necessárias, de acordo com os cálculos de Salvador Malheiro, country manager da Embaixada da Suécia para as energias renováveis, 10 milhões de toneladas de biomassa, quase o dobro das necessidades de há um ano. Todavia, a biomassa existente no território nacional pode não chegar para todas as encomendas.
 
Os estudos sobre a disponibilidade de biomassa florestal em Portugal começaram em 1985, com o trabalho realizado pela consultora Arthur D. Little e pela Tecninvest. A produção anual de resíduos florestais e resíduos da indústria da madeira foi avaliada em 3,54 milhões de toneladas verdes, proveniente na sua maioria da exploração florestal do pinheiro bravo, eucalipto e sobreiro. Dados mais recentes indicam que as disponibilidades podem variar entre as duas e as seis toneladas.
 
Com efeito, avisa Salvador Malheiro, «a biomassa não vai chegar para todos os projectos. De qualquer modo, com a actual conjuntura é difícil que todos os investimentos avancem». Ainda assim, para fazer face a uma previsível escassez de matéria-prima, o especialista aconselha a aposta nas culturas energéticas.
 
Outras possibilidades para fazer face à escassez do recurso passariam pela aposta na reciclagem da madeira resultante da construção civil e do mobiliário, em vez de esta ser encaminhada para aterro, mas também pela alimentação das centrais termoeléctricas com combustível derivado de resíduos, acrescenta Salvador Malheiro.
 
Exportação assusta investidores nacionais
 
Mas a lista de ameaças aos projectos pendentes não se extingue com o problema da escassez dos recursos, que poderá ser agravado com a exportação da biomassa para outros países. A tarifa de 108 MWh é um valor que, segundo Salvador Malheiro, «é pouco apetecível, em comparação com países vizinhos, como Espanha e Itália». Só no território espanhol a tarifa poderá ir dos 117 euros por MWh até aos 150 euros por MWh. Por sua vez, Itália está a pagar 300 euros/MWh para centrais até 1 MW, mais do triplo da remuneração portuguesa.
 
O «petróleo verde», como já lhe chamaram, passa assim muitas vezes as fronteiras nacionais.  «Na Europa não há uma prática comum em relação às tarifas de remuneração da energia eléctrica», critica Paulo Preto dos Santos, o que pode levar a distorções do mercado. Por esta razão, alerta o director-geral da Sobioen, «Portugal tem de, no mínimo, actualizar a sua tarifa para nivelar com Espanha ou a biomassa perto da fronteira vai-se toda embora». 

quarta-feira, 11 de março de 2009

CDS quer alterações no pacote dos painéis solares

O CDS-PP vai entregar esta quarta-feira no Parlamento uma proposta para alterar as regras dos incentivos financeiros para a instalação de painéis solares.

É a reacção ao pacote de benefícios fiscais e facilidades no acesso ao crédito bancário do Governo para as famílias que instalem aqueles equipamentos.

Diogo Feio, líder parlamentar dos “populares”, diz que as regras definidas pelo Executivo violam o princípio da concorrência e da liberdade de mercado.

“Um cidadão português que hoje queira utilizar este programa apenas poderá recorrer a uma empresa. Por isso mesmo o CDS vai apresentar uma proposta de acordo com a qual as obrigações de produção anual e mensal são aligeiradas, a limitação dos cidadãos se dirigirem aos bancos intermediários é ultrapassada”, disse.

Entretanto, a DECO também se pronunciou sobre os benefícios atribuídos pelo Governo às famílias que instalem aqueles equipamentos.

A associação portuguesa para a defesa dos consumidores fez as contas para um período de 12 anos e concluiu que, no longo prazo, o pacote de incentivos anunciado pelo Governo em Fevereiro é positivo para os consumidores.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Segunda maior central solar em Portugal começa a produzir terça-feira

A central, com uma capacidade total instalada de 12 megawatts (MW), é hoje ligada à rede eléctrica nacional e começa a produzir terça-feira de forma parcial e com os primeiros sete MW já instalados, adiantou hoje à agência Lusa Hélder Serranho, administrador do grupo português Generg, promotor do projecto.

Segue-se a instalação dos restantes cinco MW «até final deste ano», altura em que a central deverá começar a funcionar em pleno, para produzir 21,3 gigawatts/hora de energia «limpa» por ano, «ligeiramente mais do que o consumo anual de electricidade do concelho de Ferreira do Alentejo».

Em termos de «benefícios ambientais», a central, o primeiro projecto fotovoltaico do grupo Generg e que está a ser instalada num terreno de quase 60 hectares na Herdade da Chaminé, vai evitar anualmente a importação de sete mil toneladas de fuel (cerca de 48 mil barris de petróleo não refinado) e permitir poupar 12 mil toneladas de emissões de CO2, salientou Hélder Serranho.

Quanto a impactos socioeconómicos, frisou, o projecto da central, orçado em quase 50 milhões de euros, «um dos maiores investimentos em energias renováveis no Alentejo», vai criar «seis empregos, três dos quais permanentes», além dos postos de trabalho temporários nas fases de instalação.

Hélder Serranho salientou também os benefícios sociais do projecto, frisando que o grupo Generg celebrou um contrato de direito de superfície com a Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo (SCMFA), a administradora da Herdade da Chaminé.

Através do contrato, explicou, o grupo, durante os 25 anos que a central irá funcionar ocupando cerca de 60 hectares da herdade, irá pagar uma renda anual à SCMFA que permitirá «melhorar o apoio social à população do concelho, sobretudo aos mais carenciados».

Quando estiver totalmente instalada e a funcionar em pleno, a central solar do grupo Generg, a segunda de três no concelho de Ferreira do Alentejo, será a segunda maior em Portugal, depois da maior do mundo com 46,41 MW e a produzir em pleno desde Dezembro de 2008 perto da vila de Amareleja, no concelho de Moura.

Além da central do grupo Generg, em Ferreira do Alentejo já funciona em pleno, desde Dezembro de 2008, uma da empresa Net Plan, com 1,8 MW distribuídos por cinco pequenas centrais, e está em instalação uma outra da Sociedade Ventos da Serra, com 10 MW e que deverá começar a produzir parcialmente em Junho.

No distrito de Beja, que tem a maior potência fotovoltaica licenciada em Portugal, além das três centrais de Ferreira do Alentejo e da maior do mundo na Amareleja, existem outras quatro centrais, duas em Mértola, uma em Brinches (Serpa) e outra em Almodôvar.  

Pinho e Basílio convidam alemães a investir nas renováveis em Portugal

O ministro Manuel Pinho convidou hoje os empresários alemães a visitar Portugal e a descobrir, em particular, oportunidades de negócio nas áreas das energias renováveis. O apelo foi feito pelo Ministro da Economia na abertura do seminário económico que decorre em Berlim, no âmbito da visita de Estado do Presidente Cavaco Silva à Alemanha.

“Vale a pena ir a Portugal para ver o que se está a passar na área das energias renováveis”, assegurou o ministro.

“As empresas alemãs estão presentes nos sectores com maior potencial de crescimento” e têm funcionado como “alavanca tecnológica do país”, mas há novas áreas de negócio estão de despontar com grande potencial.

Manuel Pinho elencou uma série de exemplos de “sucesso”, como a Autoeuropa, Bosh, Siemens, Continental e Enercom, e garantiu que Portugal está hoje melhor equipado, do ponto d vista das infra-estruturas e da qualificação dos recursos humanos, para consolidar novos investimentos. Ainda neste contexto, o ministro sublinhou o caminho percorrido pelo País na consolidação orçamental, afirmando que, no ano passado, Portugal foi dos poucos países do euro que apresentou um défice aquém do limite de 3% do PIB. “Realço essa facto aqui porque sei que a Alemanha – e bem - dá toda a importância à reforma das finanças públicas”.

Idêntica mensagem foi passada por Basílio Horta, presidente do AICEP, que garantiu estar disponível para apoiar “todas as iniciativas bilaterais que possam conceder um valor acrescentado para minorar os efeitos da actual conjuntura”. Para além de ter destacado as renováveis, Basílio Horta convidou ainda os empresários alemães a visitarem o Porto de Sines e as infrastruturas que lhes estão associadas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ministério está a chamar fabricantes de painéis solares

O Ministério da Economia está a contactar fabricantes de painéis solares térmicos para reuniões com o objectivo de travar o confronto que se vive no sector, depois de conhecidas as condições de acesso à campanha de subsidiação dos colectores solares.

O PÚBLICO sabe que várias empresas foram convidadas a deslocar-se hoje ao Ministério da Economia, para conversações lideradas pelo adjunto do ministro, João Conceição, com a perspectiva de terem já sido contactadas 25 entidades. Têm sido também convidadas, através da PME Link, a candidatar-se ao processo de selecção.

A posição oficial do Ministério é vaga sobre este assunto, adiantando-se apenas serem "reuniões de trabalho", sem a presença do ministro Manuel Pinho, e que, neste momento, "existe uma lista de 24 empresas cujas candidaturas vão ser analisadas".

Com esta última iniciativa, e a expectativa de entendimento com o Governo, as empresas abriram tréguas e suspenderam a entrega das providências cautelares em tribunal, tal como tinham ameaçado, quer em nome colectivo, quer individual. É o caso da APISolar, associação portuguesas das indústrias de energia solar, que fazia depender a entrega da queixa de uma resposta positiva do Ministério. A Solargos, por exemplo, chegou a anunciar que o processo seria entregue ontem, o que não veio a acontecer.

Aos importadores foi entretanto solicitado que apresentem propostas alternativas às regras do Governo, uma iniciativa que fez também baixar o tom das críticas.

As empresas contactadas ontem pelo PÚBLICO reconheciam a sua expectativa quanto ao resultado desta abertura do Governo, não afastando para já os processos judiciais, para o caso de não se chegar a um entendimento. Consideram também que a entrega das candidaturas "não resolve o problema", já que será necessário alterar também os critérios de acesso definidos pelo Governo para que o leque de empresas não fique limitado à Martifer-Ao Sol e Vulcano.

terça-feira, 3 de março de 2009

EDP Renováveis com projecto de larga escala no Brasil

Depois dos EUA, Península Ibérica e Europa de Leste, a EDP Renováveis (EDPR) vai agora concentrar esforços em terras brasileiras. "O Brasil é uma opção muito válida de crescimento no médio e longo prazo. Vamos prosseguir com bastante empenho e penso que, em 2015, será um mercado com muito peso para nós", disse ao Negócios a CEO da empresa, Ana Maria Fernandes.

A gestora revelou que "temos já vários projectos em carteira, que fomos identificando ao longo do último ano e haverá novidades no curto prazo", sem concretizar. No segundo semestre, o governo brasileiro vai realizar um leilão para a comercialização de energia renovável a que a (EDPR) vai concorrer sozinha, por via da Energias do Brasil (participada do grupo EDP).

O objectivo para o Brasil é desenvolver um projecto de larga escala, em "greenfield", ou seja a partir do zero. "A operação tem de ter massa crítica. Não podemos fazer 100 ou 200 megawatts (MW). São projectos de raiz como este que dão o máximo de valor", defende. 

Painéis solares: banca já dá informações sobre aquisição

A partir desta segunda-feira, os bancos começam a dar informações sobre financiamentos para a aquisição de painéis solares. Uma medida anunciada por Sócrates, mas cuja implementação está a encontrar alguns obstáculos.

A iniciativa avançada há duas semanas no debate quinzenal teve implementação recorde, mas nem tudo está a postos para avançar.

Segundo a Rádio Renascença, os bancos ainda estavam a ultimar o processo, mas já podem dar informações aos clientes.

A meta é instalar este ano painéis solares térmicos em 65 mil habitações, com comparticipação do Estado em 50% e um spread de 1,5%.

Mais 2.500 postos de trabalho

Um objectivo que para José Luz, da empresa Lobo Solar e membro da associação da indústria solar, é «extremamente ambicioso».

Segundo este responsável, esta é uma iniciativa louvada pela indústria solar, que defende que as regras têm de ser transparentes e o mais abrangente possível.

Recorde-se que no ano passado foram instalados apenas 86 mil metros quadrados.

Assim, a partir de hoje as famílias interessadas podem dirigir-se aos balcões do BES, Caixa, BPI e BCP para pedir informações. São a linha da frente do programa do Governo que pretende instalar painéis solares térmicos em 65 mil habitações e criar 2.500 postos de trabalho

segunda-feira, 2 de março de 2009

AIE elogia trabalho de Portugal nas energias renováveis

O director geral da Agência Internacional da Energia (AIE), Nobuo Tanaka, elogiou hoje o trabalho feito por Portugal ao nível das energias renováveis, lembrando ainda que "este país está a dar um bom exemplo ao empenhar-se num mercado ibérico de energia".

O director geral da Agência Internacional da Energia (AIE), Nobuo Tanaka, elogiou hoje o trabalho feito por Portugal ao nível das energias renováveis, lembrando ainda que “este país está a dar um bom exemplo ao empenhar-se num mercado ibérico de energia”. 

“Valorizamos os esforços feitos por Portugal”, disse o responsável da AIE numa conferência em Lisboa, destacando que Portugal tem na Europa a quinta meta mais ambiciosa de incorporação das renováveis no sector energético no plano para 2020.

Nobuo Tanaka participou numa conferência promovida pelo Ministério da Economia e Inovação. O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou, após a intervenção do director da AIE, que “Portugal fica muito bem na fotografia e deve ser um motivo de orgulho que Portugal seja um caso a apresentar na próxima reunião da AIE”. 

O responsável da AIE lembrou a necessidade de investimento global nas energias renováveis (8,5 biliões de dólares até 2030), defendendo que isso deve ser visto como uma oportunidade de relançamento económico. 

Manuel Pinho considera que Portugal saiu a ganhar por se ter antecipado na aposta nas renováveis. “Devemos dar graças a Deus por termos lançado estes projectos em 2005 e 2006. Tenho muitas dúvidas de que os investidores estivessem disponíveis se os projectos fossem lançados agora”, disse o ministro da Economia. 

António Mexia, presidente da EDP, mostrou-se tranquilo em relação à liquidez no investimento em renováveis. “A evolução do mercado de crédito nos últimos meses tem mostrado que vai no sentido de uma normalização. Tem havido mais liquidez”, salientou António Mexia, acrescentando que a crise financeira de 2007 e 2008 permitiu que hoje haja “uma maior diferenciação entre o bom e o mau risco”. 

Desconto de 50% na compra de painéis solares só é válido em duas empresas

O anúncio de 50% de desconto na compra de painéis solares térmicos para aquecer água agradou aos portugueses e às empresas que vendem os equipamentos. O “balde de água fria” veio depois, quando se soube que apenas duas empresas em Portugal podem fazer os ditos descontos. 

Todas as outras, algumas já estão no ramo há mais de 20 anos, querem saber porque é que ficaram de fora. 

As duas empresas que foram convidadas para assinar o protocolo foram o grupo Bosch (que detém a marca Vulcano) e a empresa “Ao Sol”, que já pertenceu à GALP. Os clientes só terão direito ao desconto se comprarem a estas empresas. 

Se o processo não for travado, a Associação Portuguesa de Energia Solar (Apisolar) avisa que muitos empresários vão ter de fechar as portas. 

O presidente da Apisolar, Carlos Campos, não quer acreditar que tenha havido favoritismo. A ideia do Governo foi boa, mas ninguém compreende os critérios da escolha. 

Critérios que parecem ter sido feitos “à medida”. Um deles é fazer 2 mil instalações por mês, condição que, até agora, ninguém consegue cumprir, nem as duas empresas escolhidas. 
Da reunião desta manhã no Ministério da Economia ficou decidido que o processo vai começar mesmo na próxima segunda-feira. Os empresários do sector não pedem favores, só querem que o Governo deixe a concorrência funcionar.